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Menino do Rap
Anos atrás, me aconteceu algo que me mudou profundamente, e quase sempre ao longo do dia, mesmo que de forma breve, eu me lembro do acontecido e irei compartilhar com você, pois creio que muitas pessoas vivenciaram algo que as mudaram "da água pro vinho". Pois bem, eu era advogado de uma grande empresa no centro do Rio de Janeiro, e apesar do alto salário, sempre presei pelo simples, e todos os dias fazia o mesmo percurso para chegar no local, já que morava à duas quadras da Kerry's. Era um trecho bem tranquilo mesmo de noite, mas certo dia ao voltar do expediente tarde da noite, ao passar por uma das vielas deste trajeto, um homem alto de jaqueta acolchoada e calça jeans me abordou e disse que era um assalto. Bem, ele estava armado com um baita canivete, eu poderia fazer o quê? O jeito foi ceder, já mentalizando o prejuízo e a correria que teria que fazer para cancelar cartões e refazer documentos. Mas quando eu me preparava para passar meus pertences, algo inacreditável aconteceu: um garotinho de pele parda, muito magro por sinal e sem camisa, se dirigiu ao cara: Um silêncio assustador tomou conta. Pensei que aquele cara ia meter bala em todo mundo ali. Aquele garoto seria louco (Apesar de aparentemente conhecer o sujeito). Mas por algum motivo, aquele desconhecido parentesco fez o cara se acalmar levemente. Eu realmente estava assustado. Da onde aquele garoto me conhecia? Eu fiquei extremamente assustado e curioso, mas fronte aquela situação, resolvi concordar. Os olhos daquele homem, antes brilhando de tensão, agora rasavam de água. Ele me abraçou e pediu desculpas. A situação era extremamente estranha, mas pude perceber que aquele era apenas um pai que perdeu a cabeça e queria proteger a sua filha. E inclusive, pedi para um amigo da polícia puxar a sua ficha e realmente era incrivelmente limpa. Era um homem desesperado em busca de uma solução desesperada. Mas enfim, nunca saberei quem era aquele garoto destemido.
Apesar do acontecido, retomei minha rotina e continuei a usar o mesmo trajeto, pois em anos, foi a primeira vez que algo me acontecera, mas enfim, ao chegar na Kerry's, notei do outro lado da rua um garoto, e sem sobra de dúvida, era aquele garoto de ontem, o tal Miguel. Ele olhava profundamente para o estúdio de música que ficava defronte a Kerry's, e como ainda estava um pouco cedo, fui conversar com ele. Meu Deus, aquilo me comoveu de uma forma arrebatadora. Os olhos dele brilhavam como o próprio sol, mas como eu poderia ajudá-lo? Será que a sociedade aceitaria um garoto de rua ainda mais cantando rap, um gênero tão marginalizado pelo brasileiro? Bem, eu poderia tentar! Nunca senti tanta densidade no ar. Parece que depois de anos corporativos, minha mente estava se abrindo pra realidade que talvez eu, tenta-se não notar todos os dias. Me senti no dever de procurar o caso e fazer justiça em nome de seu amigo Pedro. Então disse à ele que pagaria para ele gravar a música e buscaria ajuda no caso.
E que música! O garoto cantava de forma sublime, e a canção de Miguel caiu nas graças até dos que não eram adeptos a cultura do rap. Bastou um vídeo no YouTube para que o Brasil todo se comove-se, e inclusive, amigos meus também advogados, se juntaram a minha empreitada e conseguimos achar o criminoso. A partir daí, um caminhão de provar foi sendo despejado ao juíz, mas a prova final era o vídeo de Pedro sendo atropelado, este achado em um antigo servidor por um amigo meu que era especialista nestas coisas, um verdadeiro hacker. Enfim, a união fez a força, e o fim, o pai de Pedro, Sr. Lupi, veio me abraçar com os olhos cheios de lágrima. Disse que estava nervoso de tanta felicidade. E era verdade, aquele homem tremia de tanto nervoso e choro entre sorrisos. A justiça foi feita. Em seguida, me convidou para sua casa, chegando lá, me deu um copo de café e começamos a dialogar. Eu fiquei muito confuso com aquelas palavras, pois não estava entendo nada. Mas ele continuou a falar. Foi neste exato momento, que eu descobri que a amizade verdadeira, está além desta vida. Ela ultrapassa gerações, o tempo e a própria existência carnal. E Miguel foi mais que um amigo para Pedro. Foi um irmão mesmo no pós-vida. Pedro e Miguel, descansem em paz, onde quer que esteja, meus amiguinhos.

Feito especialmente para a leitora Roberta Onoratto, minha colega amante do rap


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