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A Bruxa da Rua de Baixo


O bairro onde eu moro sempre foi um lugar calmo. Com muitas árvores, e até mesmo com uma Lagoa nas proximidades, onde constantemente eu e as outras crianças do local íamos mergulhar. Mas tudo mudou em 2004, quando dona Fernanda se mudou para a rua de baixo. Dona Fernanda era uma mulher de meia idade, ranzinza e que não gostava de crianças. Sempre usava roupas cinzas que não ficavam bem nela e sua casa sempre tinha um cheiro estranho. No início, nos achamos que fosse apenas uma velha ranzinza. Nada de mais. Até que começaram a acontecer coisas estranhas. No começo, ninguém notou a mudança, mas aos poucos, Pedro, que morava na casa ao lado de Dona Fernanda, começou a se comportar de forma estranha: evitando água, e preferindo lugares escuros. Em duas semanas, Pedro ficou insuportável e assustador: não tomava mais banho, estava sempre parecendo um bicho e fedia a coisa morta. Os pais de Pedro ficaram muito preocupados, ao passo que os pais das outras crianças, com medo do que pudesse acontecer a seus filho, proibiram todos nós de brincarmos com Pedro. Mas não adiantou muito. Após dois dias dessa proibição, Giovanna também começou a ficar estranha. Falava rosnando, evitava locais claros e água, se recusava a usar qualquer tipo de roupa e andava de gatinhas, como um animal. Ninguém sabia o que fazer, tampouco sabiam o que havia provocado aquilo. Os pais de Pedro e de Giovanna levaram eles ao médico, que não soube dizer com exatidão o que estava provocando a mudança de comportamento. O tempo foi passando e as coisas foram se tornando cada vez piores. Luiza, uma garotinha meiga e fofa que morava próxima ao lago, foi flagrada andando de gatinhas, com o rosto coberto de sangue e com pedaços de penas de alguma ave grudados em seu rosto. Na semana seguinte, Matheus e sua irmã, Julliana, começaram a discutir entre si. Agindo como duas feras, a discussão terminou em uma briga terrível onde, Julliana, num acesso de insanidade, dilacerou a garganta de Matheus, e tentou beber o sangue do irmão, sendo impedida pela mãe. Matheus foi levado a emergência, porém devido a falta de sangue, faleceu. Os pais de Matheus e Julliana ficaram em estado catatonico e na mesma noite, Julliana fugiu de casa e só foi vista após muito tempo, correndo nua e coberta de restos de animais mortos, em uma das matas da cidade. O pânico estava se instalando em nosso bairro, e o ápice dessa loucura foi quando vermes surgiram da pele clara de Luana. No início, eram nada mais do que pequenas manchas. Quase como espinhas, comuns na adolescência. Então, com o passar dos dias, começaram a expelir um pús amarelo-esverdeado e mal-cheiroso. Os médicos do posto de saúde não souberam identificar a causa. Em uma semana, pequenos vermes cor de creme começaram a surgir nas feridas. A garota então começava a ingerir os pequenos vermes, rindo de forma sinistra da reação das pessoas ao redor. Meus pais, com medo do que poderia ocorrer, resolveram sair da cidade e se mudar para a casa da minha avó. Vários outros moradores fizeram o mesmo. Anos mais tarde, uma de nossas antigas vizinhas, ao nos encontrar em uma praça qualquer da cidade, nos relatou que após nossa mudança, as coisas pioraram muito. Após três meses desde nossa mudança, todas as crianças que ainda residiam no bairro desapareceram misteriosamente, junto com dona Fernanda, que simplesmente abandonou a sua residência, onde foram encontrado objetos usados para feitiçaria, bem como livros descrevendo ritos profanos e ossos humanos. As crianças desaparecidas nunca mais foram encontradas, porém raramente são vistas nas matas ao redor da cidade. Seus pais, desolados e preocupados, nunca mais foram os mesmos. Nós nunca mais voltamos aquele bairro. O horror está gravado em nossas memórias, é até hoje, é possível ouvir os gritos e rosnados guturais das crianças e sentir o cheiro apodrecido que marca sua passagem.

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Um comentário:

  1. É interessante que mesmo nos contos de horror, a primeira derrocada da humanidade ocorre na sanidade! Chocanteeee!!

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